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Cada um de nós observa o mundo diante de suas próprias perplexidades. E também de sua sensibilidade. O mundo me fascina e sou observadora cuidadosa e atenta. A poesia e a dor da realidade. A música e o silêncio que tanto servem para meditar como para ensurdecer os sentidos. Um pouco de mim, muito de todos nós, basta querer revelar, com enorme sutileza. Minhas leituras, meus sons, minhas impressões, tudo ofereço a vocês, se assim o quiserem. E tudo diante da soberania e da Graça de Deus!
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sexta-feira, setembro 16, 2011

O método “arrastão” de investigação científica

O método “arrastão” de investigação científica

Escrito por Ann Coulter | 12 Setembro 2011

Artigos - Ciência

Esse é o método “arrastão” de investigação científica. Os esquerdistas rapidamente cercam e humilham qualquer um que discorde deles.
A definição de inferno está sendo condescendida por idiotas. E lá devem estar os repórteres da MSNBC Chris Matthews e Contessa Brewer lhe soltando risadinhas por toda a eternidade por você não acreditar na evolução.
Quase um terço do meu best-seller de 2007, primeiro lugar no New York Times, Sem Deus — A Igreja do Liberalismo, é um ataque ao mito esquerdista da criação: a evolução darwinista. Apresentei os argumentos de todos os especialistas no campo, desde o retardado Richard Dawkins ao brilhante Francis Crick, e os confrontei.
Mas parece que os esquerdistas não querem argumentar.
Apesar da fixação obsessiva de Matthews, manifestada por sua constante em perguntar aos republicanos eleitos se eles acreditam na evolução, ao me entrevistar durante uma hora a respeito do Sem Deus — o mesmo livro que está repleto de ataques ao darwinismo — Matthews não me fez uma única pergunta sobre o assunto.
Aliás, nenhum esquerdista fez. Matthews sequer sabe o que é evolução.
Um ano mais tarde, em um debate entre presidenciáveis republicanos, Matthews pediu que levantasse a mão quem acreditava na evolução. A discussão estava proibida! Vai ver isso abre espaço para que fatos científicos, e não gracinhas de pátio de escola, venham à tona.
A evolução é o único assunto que é discutido exclusivamente na base do “Você acredita?”, permitindo apenas sim ou não. Que tal se jornalistas conservadores começarem a colocar um microfone na frente de candidatos liberais e perguntarem: “Você acredita na Bíblia, sim ou não?” “Um bebê na barriga da mãe é humano, sim ou não?” ou “Você acredita que adolescentes devam fazer sexo, sim ou não?”.
Esse é o método “arrastão” de investigação científica. Os esquerdistas rapidamente cercam e humilham qualquer um que discorde deles. Ficam perdidos quando seus apelos a posições ideológicas (que funcionam muito bem com eles próprios) não funciona com o resto do mundo.
Agora que o candidato republicano à presidência Rick Perry declarou que há “furos" na teoria da evolução — ou “gás", como noticiado originalmente pelo New York Times, antes de publicarem uma errata — está aberta uma nova rodada de escárnio a loucos fundamentalistas, ignorando-se quaisquer fatos.
Mas a verdade é que não foram os avanços do cristianismo (que é relativamente constante), mas da própria ciência, que desacreditaram completamente a teoria evolucionista de Darwin.
Esta semana, vamos considerar uma pequena fatia da montanha de evidências científicas refutando essa misteriosa religião da era vitoriana.

O mais devastador para os “darwimaniacos” foram os avanços na microbiologia desde a época de Darwin, revelando mecanismos incrivelmente complexos, que necessitam de centenas de partes funcionando ao mesmo tempo — estruturas celulares complexas, o DNA, mecanismos de coagulação sanguínea, moléculas e os pequeninos cílios e flagelos celulares.
De acordo com a teoria de Darwin, a vida na Terra começou com formas de vida unicelulares, que por meio de mutações aleatórias, acasalamento e morte, passavam para frente mutações desejáveis, em cujo processo ao longo de bilhões de anos levou à criação de novas espécies.
O teste (extremamente generoso) que Darwin propôs para sua teoria foi o seguinte: “Se fosse possível demonstrar que existe um organismo tão complexo que fosse impossível de ter sido formado por uma série de pequenas e sucessivas modificações, minha teoria cairia por terra”.
Graças aos avanços dos microscópios, milhares dos tais mecanismos complexos foram descobertos desde os dias de Darwin. Ele teve que explicar apenas dispositivos simples, como bicos e guelras. Se Darwin pudesse voltar nos dias de hoje e olhar através de um microscópio moderno para ver as funções internas de uma célula, ele iria prontamente abandonar a própria teoria.
É uma impossibilidade matemática que, por exemplo, todas as 30 a 40 partes de um flagelo celular — esqueça as 200 partes de um cílio! — poderiam ter surgido todas de uma vez por mutações aleatórias. De acordo com a maioria dos cientistas, tal ocorrência é considerada talvez menos provável do que o senador John Edwards se casar com Rielle Hunter, o “marco zero” do impossível.
Tampouco faria cada uma das 30 a 40 partes individualmente um organismo mais apto a sobreviver e se reproduzir; o que é o ponto central da engenhoca toda, se bem nos lembramos.
Como explica Michael Behe, bioquímico e autor do livro “A Caixa-preta de Darwin”, mesmo um mecanismo tão simples quanto uma ratoeira de três partes requer que essas três partes funcionem ao mesmo tempo. Senão você não vai ter uma ratoeira que pegue metade dos ratos que deveria pegar para conseguir a sobrevivência da lei do mais forte. Enfim, você não vai ter uma ratoeira.
Quanto mais aprendemos sobre moléculas, células e DNA — um conjunto de conhecimentos que alguns chamam de “ciência” — mais absurda se torna a teoria de Darwin. Como diria Bill Gates, o DNA “é como um programa de computador, mas muito, muito mais avançado que qualquer software já criado” (Além disso, o DNA não costuma travar quando estamos no meio da reprodução).
Os fanáticos evolucionistas preferem não ser convocados para explicar esses complexos mecanismos que, de acordo com o próprio Darwin, iriam refutar sua teoria.
Ao invés disso, fazem piadas sobre quem sabe a verdade. Dizem que discutir evolução significa acreditar que os homens viveram junto com dinossauros.
Os perseguidores de Galileu devem ter dado boas gargalhadas do fato de ele acreditar em Fred Flintstone.
É por isso que os “darwimaniacos” mais iluminados soam como cientologistas para poderem se ater à sua religião misteriosa.
Crick, ganhador do Prêmio Nobel por sua codescoberta do DNA, levantou a hipótese de que extraterrestres de inteligência superior mandaram células vivas para a Terra em uma espaçonave não tripulada, teoria exposta em seu livro de 1981, “Life Itself”.
Logo ele perdeu Deus por um fio!
Mas a solução de Crick obviamente demanda a seguinte pergunta: como os extraterrestres de inteligência superior evoluíram?
O biólogo populacional de Harvard, Richard Lewontin, disse que os “darwimaniacos” toleram “estórias bonitinhas mas incomprovadas” sobre a evolução e ignoram “a patente absurdidade de alguns de seus argumentos” por estarem comprometidos em criar uma teoria que exclui Deus. “Não podemos”, disse Lewontin “permitir um primeiro passo na direção do divino”.
Talvez se trocássemos o nome de “design inteligente” para Louis Vuitton para não assustar os “teofóbicos”, eles iriam admitir a verdade: A ciência moderna refutou a evolução darwinista.
Tradução: Luis Gustavo Gentil
Título original: The flash-mob method of scientific inquiry

sábado, setembro 10, 2011

Kenneth Erwin Hagin: O divulgador da Confissão Positiva

Kenneth Erwin Hagin: O divulgador da Confissão Positiva
[O poder do engano - Parte 2]
Por Marcos Batista Lopes

Kenneth Erwin Hagin nasceu em agosto de 1917, em McKinney, Texas, teve um parto prematuro com problemas cardíaco congênito. Hagin teve uma infância difícil e conturbada devido à falta de seu pai que abandonou a família quando ele era muito novo. Aos nove anos foi viver com os avós e aos dezesseis anos devido à uma enfermidade se encontrava muito debilitado em uma cama. Encontrou conforto através da leitura bíblica e teve uma interpretação que mudaria sua vida para sempre, afinal, segundo Hagin ele fora curado de sua enfermidade. Mas antes Hagin alega ter ido três vezes “em espírito” ao inferno. Mas segundo Hagin a sua segunda experiência foi algo que marcaria sua vida para sempre, e foi lendo a passagem de Marcos 11.23,24: “Eu lhes asseguro que se alguém disser a este monte: “Levante-se e atire-se no mar”, e não duvidar em seu coração, mas crer que acontecerá o que diz, assim será feito. Portanto, eu lhes digo: Tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim lhes sucederá” (Bíblia NVI).

Em uma de suas obras ele relata com detalhes a sua experiência desta revelação[1]. Hagin diz que resistiu ao diabo de que não estaria curado e alega que de fato foi miraculosamente curado por Deus. Ele começa seu longo ministério em 1934 em uma igreja batista. Pertenceu às Assembleias de Deus até 1945. Conheceu o ministério de cura pelos anos 50 e finalmente em 1963 fundou seu próprio ministério – Kenneth Hagin Evangelist Association.

Em 1974 o seu ministério ganharia uma imensa notoriedade com o nascimento do seu instituto bíblico chamado –Rhema Bible Training Center, na cidade de Tulsa, Oklahoma, EUA. Um relato afirma quando se deu a ideia deste seminário:
“Quando o irmão Hagin ouviu certo ministro de renome dizer que 80% do que se ensina nas escolas de teologia convencionais não tem utilidade alguma, resolveu então concentrar seus esforços no sentido de estabelecer uma escola que ensinasse os 20% considerados úteis e práticos, e são esses ensinamentos que hoje fazem a grande diferença nas 33 Escolas espalhadas nos cinco continentes, 21 delas no Brasil.” [2]

No Brasil o Rhema chegou em 1999 e sua linha doutrinária da escola vem sendo pregada no país pelo casal Bud e Jan Wright. O ministério Rhema comenta o seu desenvolvimento no Brasil:
“O casal enviado pelo instituto dos EUA está no Brasil desde 1983. Foi esse casal que fundou em 1989 o primeiro Centro de Treinamento Bíblico Verbo da Vida, em Guarulhos. A partir daí, as escolas e igrejas Verbo da Vida se espalharam pelo Brasil e em 1999 o Ministério de Kenneth Hagin oficializou a relação com o Verbo da Vida transformando o CTBVV de Campina Grande, Paraíba, no primeiro Rhema Brasil. Em 2003 todas as escolas Verbo da vida passaram a se chamar Rhema Brasil.” [3]

A escola Rhema é de caráter interdenominacional e já formou mais de 30.000 alunos pelo mundo. Hagin produziu mais de 130 livros sobre a Confissão Positiva e são mais de 60 milhões de obras espalhadas pelo planeta. No ano de 2003, Kenneth Hagin faleceu e todo o seu patrimônio assim como seus ensinos deram continuidade com o seu filho, Kenneth Hagin, Jr.

É uma pena que milhões de evangélicos deem credito para uma dos maiores falsos mestres de todos os tempos. O poder do engano continuará seguindo o seu curso até a vinda de Cristo. Estejamos preparados.

VÍDEO: 
Veja no vídeo abaixo uma “ministração” de Kenneth Hagin. Muita histeria e nada do Evangelho.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Nós somos pessoas normais como vocês

Nós somos pessoas normais como vocês

Eu comecei a construir o meu blog em meados de 2008 num momento de vida difícil para mim, pois a doença de Alzheimer de minha mãe, diagnosticada desde 2006, teve um recrudescimento nesta época. A partir dessa constatação, quase não saio de casa, mesmo contando com ajudante doméstica em parte do dia, pois eu me tornei o único elo dela com o mundo real. E quem é cuidador de Alzheimer sabe que o convívio familiar e o carinho são essenciais para conter o avanço da doença. Com a retenção em casa, as leituras e estudos, especialmente nos momentos de vigília na madrugada, passaram a ser meus grandes companheiros. Mas nesta reflexão o tema não é a doença de Alzheimer, que pretendo abordar em outra ocasião.

Bem, após um início em que postei pouca coisa – a maioria poesias feitas por mim e reproduções de trabalhos de Grandes Poetas -, retomei em 2009 com toda a vontade! Com a intensificação de minhas postagens, reconfigurei o blog, acrescentando widgets, gadjets e revelei o meu perfil pessoal por completo, adicionando a minha foto. E procurei divulgar o endereço do blog, não almejando qualquer tipo de reconhecimento, mas objetivando, principalmente, dividir com quem se interessasse as minhas impressões da realidade que nos cerca, os gostos multifacetados, as minhas perplexidades. O meu blog não é um site puramente autoral. Nele estão inseridos diversos artigos, poesias, músicas, reflexões cristãs, notícias científicas etc., que não foram produzidas por mim, embora eu as endosse ao postá-las. Ou seja, na página estão minhas percepções, gostos, sensações, alegrias, tristezas, aprendizado, momentos de êxtase e de indignação, enfim, a Vida!

O aumento da minha demanda de posts coincidiu com a minha adesão irrestrita ao Twitter, veículo que considero muito mais de informação e expansão de idéias, de trocas intelectuais de excelente qualidade, do que propriamente de contatos de nível social. Essa é uma característica do Twitter. Lá se encontra de tudo, afinal o veículo é acessível aquém quer que queira se inscrever. Vai-se da mais rasa informação inútil, fofocas de celebridades etc. – para quem os segue – até links que nos remetem a informações do cotidiano, análise de fatos, resenhas editoriais, ciência, filosofia, indicações de músicas, livros, boas mesas de discussão sobre os assuntos mais relevantes do país e do mundo.

Através do Twitter, tive o prazer de conhecer muitas pessoas que também publicam blogs das mais variadas tendências. E fiquei impressionada com a quantidade de bons blogs apologéticos, de doutrina e fé e muitos escritores de extrema capacidade que são desconhecidos da mídia e jamais tiveram material publicado. 

Tenho por princípio pessoal ler sobre qualquer tema analisando as opiniões a favor, as contrárias e as duvidosas. Entendo que somente agindo assim eu posso, confrontando com as minhas convicções, elaborar um pensamento crítico não corrompido. Observe-se que as poesias por mim escritas, sob o pseudônimo Diana Esnero, abordam os sentimentos nelas envolvidos, de forma real, franca, em todas as suas nuances. Não limito quaisquer expressões, entendo que o pudor excessivo é entrave mental e provoca a supressão da realidade. Porém advirto que, longe de comparar-me ao grande Fernando Pessoa, vale o que ele escreveu:" O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor . A dor que deveras sente." 
E é esse Amor tão grandioso que nos fornece as forças necessárias de buscar a adoração de Deus em espírito e verdade, percebendo os nossos erros, hesitações e modificando o nosso comportamento naquilo que não agrada ao Pai. 
Bem, finalmente, o assunto temático: ao me dar por conhecer por meus textos e minha convicção cristã, houve um estranhamento por parte de algumas pessoas, as quais não entenderam que alguém que se declarasse batista, cristã-pensante, estivesse tão à vontade em seus textos poéticos e análises desassombradas do cotidiano, expondo sensações que estas pessoas consideraram como "proibidas" para quem se assumia assim, postar músicas ditas" do mundo", que horror, dizem alguns!

Nada mais enganoso, somos todos humanos, já postei um texto no Blog em Reflexões Cristãs, no dia 06 de fevereiro de 2010, de título "Cada um é único" onde sucintamente narro a experiência do que considero o Grande Encontro. Mas o que desejo dizer é que não nasci em uma família evangélica, bem longe disso, do lado paterno há heranças ciganas, e minha conversão somente ocorreu aos 33 anos de idade. Ainda vou contar essa história em detalhes.

Enfim, sou humana, já amei, me apaixonei, tive ilusões, fui feliz e infeliz, cometi meus enganos e tenho meus momentos de alegria, mas também de árido deserto, mormente quando leio algumas notícias de jornais ou presencio, como advogada, as brutalidades e injustiças da vida. Fico com raiva sim, sou humana! É complicado sorrir diante da miséria, do abandono, da criança e do velho deixados ao relento, das costas viradas para aqueles que apenas pedem para serem ouvidos!

Penso que as emoções nos mantém vivos, gosto de cinema, teatro, música, estar com amigos de todos os credos e opções de vida, pois o mais importante é entender a mensagem que Cristo nos deixou, entre tantas: AMOR! E nada pode nos separar do Amor de Deus!

Compreender os loucos e os fanáticos, os arrogantes e humildes, os fortes e os fracos, os julgadores e os abençoadores! Jamais julgar! Isso é uma busca e exercício diários, educando o nosso ego.

Conhecer a Verdade e sentir-se libertado por essa Verdade! Sobre esse aspecto sou convicta! Independente de qualquer coisa, o importante é amar ao próximo como a si memo. E isso não é nada fácil em algumas ocasiões! E é essa realidade que me dá forças de levantar, a cada dia, sem revolta, e cuidar de minha mãezinha, tempo integral, em estado avançado da Doença de Alzheimer, não poder sair de casa nas horas em que tenho vontade, ter deixado meu escritório profissional, estar vigilante nas obrigatórias horas sem dormir, em vigília do sono dela.

Mas não houve mágicas. Houve um Encontro Essencial! Todavia eu não deixei de ser humana, busquei outras ênfases, e cito como referência, um excelente artigo que já postei no meu Blog – O Difícil Caminho do Meio -, escrito pelo meu querido amigo José Barbosa Junior, editor do site "Crer é também pensar" – www.crerepensar.com.br, quando ao final, após um parágrafo inspirado ele cita os versos de Guilherme Arantes.
"Quero caminhar no difícil caminho do meio, mesmo sabendo que isso não é o que esperam de um “teólogo”. Quero poder dizer que “não sei”. Quero poder chorar quando não tiver uma resposta. Quero sorrir ao descobrir a resposta vindo de onde menos se espera. Quero aprender com as crianças, com os poetas, com as mães que sofrem injustiças, com a gente simples que Deus, em sua imensa graça, me der o privilégio e a honra de pastorear. Quero a dúvida como companheira por muitas vezes, porque sei que só em meio à dúvida é que brota a fé. Termino com minha profissão de fé, que me permito “copiar” de Guilherme Arantes:
“E eu desejo amar todos que eu cruzar pelo meu caminho;
Como eu sou feliz, eu quero ver feliz;
Quem andar comigo, vem...
Agora é brincar de viver!”

Creio que agora quem mostrou certo estranhamento, perceberá que as trocas são possíveis e que em mim habita um ser pulsante, reflexivo, atento, perplexo, comum, como todos são. O segredo da vida? Não sei de todos eles, são muitos. Mas o caminho me mostrou alguns e certamente um deles é não permitir que os pré-conceitos anulem a nossa capacidade de amar o próximo. E permitam oferecer-lhes, em reforço, um texto brilhante deste Pastor Poeta, Ricardo Gondim, no seu artigo "Viver não é suficiente", www.ricardogondim.com.br:
              "Quem deseja viver de verdade precisa aprender a inspirar os crepúsculos, a enamorar-se das noites, a morgar em feriados chuvosos, a dourar farofa para uma comidinha dominical, a recitar poesia e rumorejar os sentimentos do poeta.
Quem deseja viver de verdade precisa contentar-se em nunca resolver os enigmas do porvir, a rota dos labirintos, o caminho da serpente sobre a pedra, e a rota das andorinhas que anunciam o verão. Viver é dar de ombros para as respostas imprecisas e para as explicações semiplenas. Quem vive navega em rotas inéditas e portos inalcançáveis; sabe que o destino é insólito."
E repito a apresentação do meu Blog:
Cada um de nós observa o mundo diante de suas próprias perplexidades. E também de sua sensibilidade. O mundo me fascina e sou observadora cuidadosa e atenta. A poesia e a dor da realidade. A música e o silêncio que tanto serve para meditar como para ensurdecer os sentidos. Um pouco de mim, muito de todos nós, basta querer revelar, com enorme sutileza. Minhas leituras, meus sons, minhas impressões, tudo ofereço a vocês, se assim o quiserem.

Dody Fernández                

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Sobre os ateus e suas insistências

Sobre os ateus e suas insistências

Posso estar errada, mas sou observadora atenta. Às vezes penso que algumas pessoas fazem a mais absoluta questão de se afirmarem descrentes da existência de Deus e de tudo, a fim de que se sintam livres do compromisso da misericórdia, do desapego ao ego, da solidariedade, do mais difícil exercício mandamental para os que Nele acreditam: amar ao próximo, especialmente aquele que irrita, contraria, se põe como obstáculo em seu caminho, que pensa tão diferente, tem outros valores e opções de vida, se torna seu inimigo, lhe revolta, tenta roubar a sua paz.
Já escrevi que cada um tem sua própria experiência do "grande encontro com Deus" e quem a teve não irá se comover com ironias ou até mesmo injúrias.  Faz parte da vida dos crédulos a tolerância mesmo quando a mesma parece impossível. São provas diárias, nada fáceis. A própria realidade nos testa a cada dia. Mas, assim como entendemos que os ateus têm o direito de o serem assim, por favor, não venham com delírios que ao contrário do que pretendem, só aumentam a nossa Fé!
Dody Fernández

Reproduzo abaixo, um dos melhores artigos que já li, do jornalista Ali Kamel, sobre Deus. Que grande exercício de síntese e reflexão!
DEUS
Ali Kamel - O Globo 27 de novembro de 2007.
Quando soube que o biólogo Richard Dawkins tinha escrito "Deus, um delírio", fiquei intrigado; então um cientista conseguiu a prova de que Deus não existe? Mas, na página 80, acontece o óbvio. Numa gradação de um a sete que vai da crença absoluta na existência de Deus até a certeza absoluta de que Deus não existe, Dawkins admite que está na sexta posição ("tendendo para a sétima"): "Probabilidade muito baixa [de que Deus exista], mas que não chega a ser zero. Ateu de facto. 'Não tenho como saber com certeza, mas acho que Deus é muito improvável e levo minha vida na predisposição de que ele não está lá."
Então por que o delírio do título? Devia ser "quase um delírio" ou "muito provavelmente um delírio".
O que leva um cientista com a reputação de um Dawkins a escrever um livro cuja natureza está fora do âmbito da ciência? Ora, a crença de que "a existência ou a inexistência de Deus é um fato científico sobre o universo, passível de ser descoberto por princípio, se não na prática." Dá para levar a sério? Para Dawkins, dá. Mas, sabedor de que isso não é verdade, ele sai pela tangente. Diz que o fato de que não se pode comprovar a existência de alguma coisa não coloca a existência e a inexistência dela em pé de igualdade: "Mesmo que a existência de Deus jamais seja comprovada ou descartada como certeza, as evidências existentes e o raciocínio podem criar uma estimativa de probabilidade que se afasta dos 50%." De novo, dá pra levar a sério? Dawkins leva.
E se esborracha, às vezes constrangedoramente.
No capítulo 3, por exemplo, o autor se dedica a questionar os clássicos argumentos de São Tomás de Aquino e Santo Anselmo de Canterbury que "provariam" a existência de Deus. O que ele não percebe, porém, é que ao refutar argumentos de que Deus existe não se atinge o objetivo de provar que Deus não existe. É um livro capenga. Fala de Deus, mas afirma que não precisou ler outros teólogos, diz que a vida deve ser estudada pela química, e se desculpa por não ser químico, levanta a hipótese ingênua de que Deus pode ser o equivalente aos amigos imaginários da infância, e se pergunta se a psicologia já testou essa hipótese.
O que mais incomoda é que Dawkins trata o crente mais "sofisticado" como se fosse, em essência, igual aos mais caricatos tele evangelistas ou aos talibãs ultrarradicais. Para quem não é nem uma coisa nem outra, o livro se torna enfadonho. Dawkins ridiculariza os fundamentalistas porque eles têm uma leitura literal de suas escrituras (se a Bíblia diz que Eva foi feita da costela de Adão, isso é verdade e ponto). Mas, quando ridiculariza as religiões abraãmicas, o que faz Dawkins senão fazer uma leitura unilateral da Bíblia e, a partir dela, criticar o quanto as escrituras são implausíveis e contraditórias? Neste ponto, não há como negar que se trata de um diálogo entre fundamentalistas. Ele nega: "Os teólogos, irritados, protestarão dizendo que não se interpreta mais o livro do Gênesis em termos literais. Mas é exatamente isso que estou dizendo! Escolhemos em que pedacinhos das Escrituras devemos acreditar, e quais pedacinhos descartar, por símbolos ou alegorias." Mas de onde Dawkins tirou a conclusão de que símbolos e alegorias devem ser descartados? Para muitos, acreditar que a história de Adão e Eva é uma alegoria da criação divina do homem não é descartar a crença de que a Humanidade proveio de Deus.
Ao confundir todo crente com os criacionistas, Dawkins passa páginas e páginas tentando provar o que não precisa mais de prova: que a "Teoria da Evolução de Darwin dá conta de como as espécies, entre elas o homem, chegaram a ser o que são. Para muitos que creem, a Evolução não é incompatível com a crença em Deus. Teólogos católicos, por exemplo, afirmam que é plenamente aceitável a possibilidade de que o Criador tenha usado a evolução como um instrumento. A dificuldade não está na Evolução, mas na origem da vida. E esta dificuldade é, até aqui, intransponível.
"A origem da vida só teve de acontecer uma vez. Portanto, podemos permitir que ela tenha sido um evento altamente improvável, muitas ordens de magnitude mais improvável que a maioria das pessoas imagina", admite, sem, porém, qualificar essa probabilidade. Os biólogos fizeram as contas. Para que a vida surgisse na Terra, foi preciso que, ao longo de bilhões de anos, um milhar de enzimas se aproximasse umas das outras, até que ocorresse a única ordenação entre elas capaz de gerar uma célula viva, uma probabilidade da ordem de 10 seguido de mil zeros contra um. Não, não se trata de uma chance em um trilhão, mas de uma chance contra 10 seguido de mil zeros, uma possibilidade praticamente nula.
Para desmerecer esses números, Dawkins cita outros. Pede que nós "suponhamos" que a vida seja algo tão improvável que só aconteça em apenas um entre 1 bilhão de planetas. Ele, então, conclui: como se estima que haja na nossa galáxia entre um bilhão e 30 bilhões de planetas, e como a estimativa é que haja 100 bilhões de galáxias, a vida teria surgido, ainda sim, em um bilhão de planetas. Note o truque: o número de planetas e galáxias é o referendado pela física, mas a afirmação de que a vida só acontece em apenas um entre um bilhão de planetas é apenas uma suposição dele, uma entre muitas. Dawkins esquece de relembrar isso ao leitor e, assim, a vida, mesmo raríssima, ganha um número vistoso, mas, até aqui, fantasioso: a vida existiria em um bilhão de planetas.
No livro, Dawkins, um biólogo a quem sempre admirei, repete quase integralmente conceitos que já apresentou em trabalhos anteriores ("O gene egoísta", "O relojoeiro cego"), em que procurou defender a ideia de que a ciência prescinde de Deus para explicar os fenômenos naturais. Isso é uma coisa. Outra, diversa, é tentar "provar" cientificamente que Deus não existe. O resultado não é ciência, não é teologia, é um somatório de argumentos que não levam a lugar algum.